Bruno Henrique estelionato, atacante do Flamengo vira réu no TJ-DFT após recurso do MP-DFT por estelionato e fraude em competição ligada a apostas esportivas
Bruno Henrique estelionato em foco, Justiça do DF aceita recurso do MP-DFT e inclui estelionato na ação, atleta também responde por fraude ligada a apostas esportivas
O atacante do Flamengo foi incluído como réu por Bruno Henrique estelionato no Distrito Federal, além de fraude em competição, após a Turma Criminal acolher recurso do MP-DFT em sessão realizada na tarde desta quinta-feira.
A apuração aponta que ele teria forçado um cartão amarelo no Brasileirão de 2023 para favorecer apostas esportivas, com supostas apostas de familiares buscando lucro em mercados de eventos individuais ligados ao jogo.
A fiança de R$ 2 milhões pedida pelo MP-DFT foi negada, sem indicação de risco de fuga, e a defesa pede arquivamento do processo, conforme informações do TJ-DFT e do MP-DFT.
O que mudou com a decisão do TJ-DFT
O Tribunal havia aceitado apenas parte da denúncia inicial e rejeitado o enquadramento por estelionato. A partir do recurso, Bruno Henrique estelionato entrou na ação, que já tratava de fraude em competição esportiva.
O juiz Fernando Brandini Barbagalo apontara que faltava representação das vítimas, as casas de apostas. Segundo ele, sem essa iniciativa, o tipo penal de estelionato não poderia ser aplicado ao caso.
O relator do recurso, desembargador Demétrius Gomes, da Terceira Turma Criminal, divergiu. Ele registrou que a IBIA “foi quem notificou a suspeita” e que o órgão “pode representar as empresas de bet” no procedimento.
Acusações, penas e outros investigados
Com a nova decisão, o jogador responderá por fraude em competição e por Bruno Henrique estelionato. A LGE prevê para fraude, no art. 200, pena de dois a seis anos de prisão, e para estelionato, um a cinco anos de reclusão.
Além do atleta, outros oito investigados seguem no processo, entre eles o irmão do jogador, Wander Pinto Júnior, e familiares citados na denúncia, todos suspeitos de atuar em apostas relacionadas ao jogo.
Cartão no fim do jogo e as apostas de familiares
O lance sob investigação ocorreu no Brasileirão de 2023, em partida contra o Santos. O atacante recebeu cartão amarelo aos 50 minutos do segundo tempo, fato que seria alvo de mercado específico nas casas de apostas.
Segundo a peça, o irmão de Bruno, Wander, apostou R$ 380,86 e recebeu R$ 1.180,67. A esposa dele teria feito duas apostas, de R$ 380,86 e R$ 500,00, com retornos de R$ 1.180,67 e R$ 1.425,00, e a prima teria apostado R$ 380,86 e recebido a mesma quantia.
O MP-DFT pediu fiança de R$ 2 milhões, mas a Turma negou por não ver risco de fuga. A defesa sustenta que a conduta atribuída não coincide com os autos e busca o arquivamento do caso.
STF, caso Igor Cariús e reflexos no debate
Nesta semana, o STF entendeu que “provocar cartões para favorecer apostas esportivas não se enquadra como manipulação de jogos”, ao analisar agravo de Igor Cariús, denunciado por aceitar dinheiro por um amarelo.
Segundo voto de Gilmar Mendes, “a ação não tem potencial real para alterar resultado ou partida”, ainda que haja eventual punição na esfera desportiva. O caso foi citado no debate sobre Bruno Henrique estelionato.
Igor Cariús foi denunciado pelo MP-GO na operação Penalidade Máxima. Ele teria aceitado R$ 30 mil para forçar um amarelo em Atlético-MG x Cuiabá, pelo Brasileirão de 2022, apontam os autos.
Na Justiça Desportiva, Bruno havia recebido 12 jogos de suspensão e R$ 60 mil de multa por forçar o cartão em 2023. Ele recorreu e se livrou do gancho, ficando apenas com a multa, registram as decisões do tribunal esportivo.
O processo criminal segue no DF com Bruno Henrique estelionato e fraude em competição em análise. A defesa do atleta reitera pedido de arquivamento, e o caso aguarda novos atos processuais no TJ-DFT.
