Ibovespa hoje rompe 164 mil pontos e crava novo recorde de fechamento, com Vale e bancos em alta, PIB 3T25 de 0,1% e dólar a R$ 5,31 reforçando aposta na Selic
Ibovespa hoje avança 1,68%, fecha no topo histórico de 164.468,14 pontos, testa máxima intradiária de 164.550,77, com Vale, Petrobras e bancos puxando ganhos, PIB 3T25 sobe 0,1% e dólar recua a R$ 5,31
O rali de Ibovespa hoje ganhou força com fluxo estrangeiro e rotação setorial, levando o índice a novas máximas.
Na sessão, papéis de grandes pesos ganharam tração, enquanto juros futuros recuaram por toda a curva.
O pano de fundo veio de dados do PIB 3T25, que sugerem espaço para corte da Selic no início de 2026, conforme divulgado pelo InfoMoney e Reuters.
Recordes, pesos pesados e balanço da semana
O Ibovespa hoje subiu 1,68% e fechou em 164.468,14 pontos, com máxima de 164.550,77 e mínima de 161.759,02. O volume financeiro somou R$ 30,30 bilhões.
Na semana, o índice acumulou alta de 3,36%, com desempenho mensal também em 3,36%. No 4T25, sobe 11,65%, e no ano, 35,03%.
Entre os destaques, Vale (VALE3) avançou 1,74%, acima de R$ 70, apoiada pela tese de reprecificação de metais. Petrobras (PETR4) ganhou 0,65% com petróleo em alta.
Os bancos reforçaram o fôlego do Ibovespa hoje: BBAS3 +1,74%, BBDC4 +1,42%, ITUB4 +2,46% e SANB11 +1,02%.
Em varejo, MGLU3 subiu 3,65%, enquanto LREN3 recuou 2,72%. No alimento-proteína, BEEF3 +1,62% e MBRF3 +4,42%.
PIB 3T25, Selic e leituras do mercado
O PIB 3T25 cresceu 0,1% na margem, abaixo do esperado, e 1,8% na comparação anual, com revisões na série, segundo o IBGE.
Por setores, agropecuária subiu 0,4%, indústria 0,8%, e serviços ficaram estáveis em 0,1%. A taxa de investimento foi de 17,3% do PIB, e a poupança, de 14,5%.
“Na comparação com terceiro trimestre de 2024, houve moderada surpresa altista, com crescimento [do PIB] de 1,8%, ano contra ano”, disse Rodolfo Margato, da XP.
Para Tatiana Pinheiro, Galapagos Capital, “o PIB trouxe uma economia de lado” e “esse sinal misto chama atenção”.
Analistas apontam que a Selic a 15% pesa no crédito e no consumo. Após o dado, aumentou a precificação de corte de 0,25 pp no Copom de janeiro.
O Bradesco avaliou que “a desaceleração da atividade é evidente”, com demanda privada estável nos últimos trimestres.
Para 2025, projeções indicam crescimento moderado, condicionado a queda de juros e melhora de confiança, disse Pedro Ros, da Referência Capital.
Dólar, DIs e exterior
O dólar comercial caiu 0,04%, a R$ 5,310, após tocar R$ 5,288 na mínima. O DXY subiu 0,13%, a 98,98 pontos.
Os DIs recuaram em bloco, refletindo o PIB 3T25. O DI1F27 caiu 0,331 pp, a 13,560%. O DI1F28 recuou 0,547 pp, a 12,730%.
Em Wall Street, sessão mista, com rotação para small caps. Dow Jones -0,07%, S&P 500 +0,11%, Nasdaq +0,22%.
“Os mercados tiveram um bom desempenho no acumulado do ano”, disse Tim Holland, Orion, à CNBC, citando provável corte de 25 pontos-base.
Na Europa, bolsas em alta, com foco em negociações sobre a Ucrânia. Na Ásia, o Nikkei avançou 2,33%.
O petróleo subiu, WTI a US$ 59,29, Brent a US$ 62,96. Minério de ferro em Dalian caiu 0,06%, a 777 iuanes.
Petrobras, pré-sal e corporativo
Petrobras e Shell arremataram duas áreas no pré-sal, Mero e Atapu, em leilão da PPSA, totalizando cerca de R$ 8,8 bilhões em arrecadação.
A Petrobras informou desembolso de R$ 6,97 bilhões neste mês para elevar participações, com assinatura de contratos até março de 2026.
Em Mero, a fatia da Petrobras passou de 38,60% para 41,40%. Em Atapu, de 65,687% para 66,38%, segundo fato relevante.
O Ibovespa hoje também reagiu a recomendações e dados setoriais. Hypera teve preço-alvo elevado pelo Santander, de R$ 30,50 para R$ 33,00.
No tráfego de concessões, a Ecorodovias reportou alta consolidada de 26,2% em novembro. A Vamos aprovou debêntures de até R$ 1,6 bilhão.
Em comércio exterior, a Anec projetou exportações de milho em 4,99 milhões de t em dezembro, alta de 37,9% ano a ano, e soja em 2,81 milhões de t, alta de 91,2%.
No varejo, o IGet do Santander e Getnet apontou vendas em novembro de 0,7% ano a ano e 1,7% mês a mês, com combustíveis em destaque.
Para o governo, há tendência de desaceleração à frente, disse a SPE da Fazenda. Haddad afirmou que o déficit do atual mandato será 70% menor que o anterior.
Na política monetária global, o mercado precifica 89% de chance de corte do Fed em 10 de dezembro, segundo CME FedWatch.
O Ibovespa hoje seguirá monitorando o PCE nos EUA e o PIB europeu do 3T25, além de sinais do Banco Central sobre a Selic no começo de 2026.
