Nature despublica estudo sobre crise do clima, dados do Uzbequistão derrubam projeção de colapso econômico de 62% para 23% do PIB global até 2100
Nature despublica estudo sobre crise do clima, revisão de dados do Uzbequistão reduz projeção de colapso econômico global de 62% para 23% até 2100
A revista científica Nature retirou de circulação um estudo que projetava um forte colapso econômico causado pela crise do clima. A revisão altera o tamanho do impacto previsto até 2100.
Erros em dados do Uzbequistão, apontados por economistas, distorciam as estimativas. Sem o país, o efeito no PIB global cai de 62% para 23% em cenário de emissões inalteradas.
A pesquisa ganhou manchetes globais e entrou em cenários de risco de bancos centrais. Os autores falam em ajustes modestos e nova submissão. Conforme informação divulgada pela revista Nature.
O que mudou com os dados do Uzbequistão
O ponto crítico foi o conjunto de dados do Uzbequistão, que elevava de forma atípica os danos nas projeções. Sem essa distorção, o recuo do PIB global até 2100 cai de 62% para 23%.
Com a revisão, o resultado volta a se alinhar às estimativas de pesquisas anteriores. Ainda assim, perder mais de 20% da atividade mundial é visto como um choque severo, alertam críticos.
Para esses críticos, a mudança climática segue uma ameaça relevante e exige avanço em mitigação e adaptação. Eles pedem ceticismo com resultados extremos e mais transparência nos dados.
Como o estudo mediu os impactos econômicos
Liderado por Leonie Wenz e Maximilian Kotz, do Instituto Potsdam, o trabalho usou dados subnacionais, estados e províncias, e incluiu chuva, ondas de calor e não só temperatura média.
A equipe também considerou efeitos de eventos extremos persistindo por uma década, e não sumindo rápido. Segundo Wenz, isso amplia a leitura dos danos da crise do clima na economia real.
“Queríamos entender por quanto tempo conseguimos observar esses impactos nos dados”, disse Wenz.
“Isso levou a magnitudes de dano maiores em comparação àquelas de trabalhos que não consideravam esses efeitos persistentes.”
Impactos em políticas, bancos centrais e custos
O estudo ganhou tração e foi incorporado a cenários de gestão de risco usados por bancos centrais. Com a retratação, reguladores devem recalibrar premissas e faixas de incerteza.
Os danos já contratados para os próximos 25 anos custariam seis vezes mais do que o necessário para reduzir emissões e limitar o aquecimento global a 2 graus Celsius, meta do Acordo de Paris.
Mesmo com revisão, a crise do clima segue pressionando cadeias de produção, produtividade e renda. A incerteza exige métricas robustas para orientar políticas e investimentos públicos e privados.
O que dizem os autores após a retratação
Em resposta às críticas, Kotz e Wenz afirmam ter feito correções que alteraram os resultados de forma modesta, com incerteza um pouco maior e impacto ligeiramente menor até o fim do século.
Eles planejam revisar o estudo e submetê-lo novamente. A Nature despublica estudo, mas os autores sustentam que a metodologia ajuda a captar melhor os choques da crise do clima na economia.
Para formuladores e empresas, a mensagem central permanece, os danos econômicos do aquecimento são reais e crescentes, embora as estimativas precisem de rigor e reprodutibilidade.
